domingo, 26 de julho de 2015

MENSAGEM NÃO VISUALIZADA: ANGÚSTIA DO COMPORTAMENTO APRENDIDO.




Olá queridos leitores. Tenho recebido em meu consultório vários problemas relacionados com a facilidade de comunicação pelas redes sociais. E recentemente recebi um link de um paciente com um texto que me instigou bastante, devido à clareza da exposição das ideias sobre um tema tão complexo. A autora, Thais Barrinha, que também é psicóloga e estudiosa do comportamento humano, discorre de forma admirável e simples sobre este vasto tema. Compartilho com vocês este texto e espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.
Observação: o texto foi reproduzido na íntegra. No final encontra-se o link da página onde o mesmo está hospedado.



Mensagem não visualizada: angústia do comportamento aprendido.
A evolução é mesmo um fator intrigante.
Com a comunicação facilitada pela internet, estamos cada vez mais próximos e em maior contato verbal com o outro. Estamos fisicamente mais acessíveis e a espera para se comunicar é menor, o que facilita e pode até mesmo agilizar alguns processos. A espera das cartas e os intervalos de dias na expectativa em ver a pessoa querida, foram substituídas por mensagens instantâneas que acontecem a qualquer hora do dia tornando as pessoas presentes umas nas vidas das outras em qualquer momento, compartilhando emoções.


Mesmo com todas as mudanças na comunicação, há um fator imutável, seja nos flertes dos anos 30 ou nos do Tinder: esperamos o tempo inteiro pela aprovação do outro.
Apesar de toda essa proximidade e facilidade relacional gerada pela internet, existe um lado obscuro que está diretamente ligado a nossa necessidade de sermos aprovados: os meios de se detectar se somos aceitos ultrapassaram a linguagem corporal, um “eu gosto de você” ou uma ação física, sendo substituídos em muitos casos por sinais de confirmação de leitura de uma mensagem.
A necessidade de controle que temos sobre a vida do outro tomou uma proporção que foge da percepção da maioria: a tal confirmação de leitura tem se tornado na vida de muitos a maneira de medir os sentimentos do outro.


 

Mais do que isso, a partir de agora você mede a sua importância na vida do outro a partir da velocidade que sua mensagem é respondida. E se a última visualização aconteceu há poucos minutos mas sua mensagem permanece sem resposta, temos um problema. Mas, se a última entrada aconteceu e mesmo assim sua mensagem não foi visualizada, bom… Temos aí um bom motivo para rompimento!
Como é que foi construído todo esse paradigma em torno dos facilitadores de contato?



Estamos cada dia mais controladores. Procuramos o tempo inteiro controlar nosso mundo exterior e as pessoas que nos cercam por um motivo: controlar a nós mesmos é muitas vezes uma tarefa árdua; já que estamos em nós mesmos fora de nosso controle, nossa estrutura psíquica desvia a atividade do controle para algo mais tátil: os sentimentos do outro. É claro que efetivamente não controlamos os sentimentos e atitudes de ninguém, mas temos como aliado nosso mundo imaginário, que imagina, presume e conclui coisas baseado em dados inventados por nós mesmos, nos colocando no conforto de acreditarmos no que quisermos.



O que era pra ser o facilitador da comunicação, colidindo com nossas questões comportamentais, acaba então por se tornar o dificultador, pois a importância que se dá aos sinais de uso dos aplicativos acabam por sufocar o conteúdo das mensagens trocadas. Um comportamento aprendido, que de tanto ser repetido está sendo cada vez mais incutido no cotidiano das pessoas, tornando-se causa e não efeito (ex.: os aplicativos deveriam ser efeito de uma relação de comunicação, e não causa de um embaraço).
Dias estressantes, cobranças de todos os lados, as relações deveriam ser o lugar onde encontramos reconforto. Permitir que comportamentos aprendidos (que sequer notamos serem danosos) é uma falha facilmente corrigível. Retomar a forma do diálogo, nos apropriarmos de nós mesmos, dizer o que precisa ser dito e desobrigar o outro de você. Desobrigá-lo de passar o dia conectado a você mesmo que a distância, desobriga-lo de achar normal ter sua privacidade invadida e sua individualidade violada por um padrão de comportamento aprendido, desobrigá-lo de demonstrar um afeto imposto mas principalmente, desobriga-lo de atender as suas expectativas (pois elas são suas).



É possível viver a naturalidade das coisas e desejar um “Bom dia” sem que seja isso um termômetro relacional, mas apenas um desejo sincero e incondicional de que o outro esteja bem. Que o fundamento das relações sejam mais baseados na produtividade da presença do outro em nossa vida e não pela angústia de sermos aceitos (ou não) em todo momento por ele.

Referências:

Psiconlinews
Disponível em: <http://www.psiconlinews.com/2015/07/mensagem-nao-visualizada-angustia-do-comportamento-aprendido.html>

Imagens da Internet

domingo, 28 de junho de 2015

ATÉ ONDE VAI O SEU LIMITE?



 
Em nossas vidas, mais cedo ou mais tarde, haverá um tempo em que será preciso abandonar determinadas coisas que antes não abriríamos mão de forma alguma: roupas usadas, caminhos traçados, rotinas que nos escravizam e martirizam. Mas para que a mudança aconteça é preciso enfrentar o grande obstáculo que nos impede de prosseguir: nós mesmos! Sim. Quantas vezes nos impedimos de sermos felizes... Por medo... E culpamos as circunstâncias e as pessoas, sendo que nós mesmos estamos bloqueando o nosso caminho rumo à felicidade. Se não atravessarmos esse orgulho de que sim, em algum momento vamos errar, não poderemos chegar ao outro lado, e ficaremos presos à margem de nós mesmos.

E aí vem algo muito interessante: qual é o seu limite? Será que o seu limite hoje está sendo a sua idade? A cor da sua pele? A sua condição financeira? A sua condição emocional?

Somos imensos diante das nossas limitações, mas nos comportamos como um grão de areia diante da nossa grandiosidade. Somos capazes de nos escondermos atrás de nossos objetivos mais profundos, criando barreiras cada mais difíceis de serem ultrapassadas. Usamos argumentos que consideramos verídicos para justificar algo que nem ao menos tentamos realizar. Isso quando não nos escondemos através de comparações: “Bom, pelo menos fui melhor que fulano”. Ou ainda “Não tem problema, beltrano é pior do que eu”.

Dificilmente iremos assumir que não conseguimos o resultado desejado porque não tivemos coragem de prosseguir, ou porque não tivemos coragem suficiente para testar nossos limites.


Até quando você vai se esconder? Será que você está sendo capaz de superar seus limites? Ou está fadado a aceitar que os outros falem que você não pode? O que você está fazendo por você? Você ainda insiste em se esconder atrás de obstáculos que você mesmo está criando dentro da sua mente? O que está impedindo você de construir o seu próprio caminho, a sua própria estrada? O que falta para você superar essa fase da sua vida? São os espinhos que estão no caminho? E o que impede você de ultrapassar estes espinhos? Será que a culpa é dos filhos que não ajudam? Dos netos que dão trabalho? Do(a) namorado(a) que não liga? Do emprego que nunca chega? Dos parentes que não te visitam?

Pense... O que realmente está impedindo você de avançar e vencer seus limites?

É a consulta que você nunca marca por medo de descobrir alguma coisa errada com você? É a roupa que você nunca compra porque sempre tem algo mais importante pra comprar e no final das contas não era tão importante assim? É a saudade daqueles que se foram e você os culpa por estar sozinho?

Será que você não é capaz de vencer seus limites? Ou está faltando coragem para fazer isso?

Diariamente precisamos vencer várias dificuldades e muitas vezes vamos ter medo. Mas isso é natural. Devemos ter medo de desistir e não ter medo de continuar. Precisamos ir ao encontro daquilo que acreditamos. A maioria das pessoas buscam problemas onde eles não existem. Há aqueles que controlam suas finanças depois de terem perdido tudo, outros valorizam entes queridos só após passarem por momentos traumáticos, outros ainda organizam melhor seu tempo quando a falta de tempo se tornou responsável por prejudicá-los em algo.


Lembre-se que as limitações são muito mais psíquicas do que reais.

Acredite: suas aptidões podem se revelar muito além do que você conhece, por isso teste principalmente os limites de sua capacidade de perseverar! Seu poder de superação está muito além de seus músculos, bens ou recursos financeiros. Sua maior superação acontecerá quando você acreditar que você realmente é capaz.

Já dizia Albert Einstein: A mente que se abre a uma nova ideia jamais retorna ao seu tamanho original.
Se abra para novas conquistas. Supere seus limites. E seja feliz! 


quarta-feira, 20 de maio de 2015

SOLIDÃO...


Segundo o dicionário on-line Wikipédia, Solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa, não por que simplesmente se isola mas porque os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme. 

Um dos principais temas existencialistas é a solidão, que passa a ser arte do encontro com o vazio existencial. A solidão pode ser um sentimento causador de extrema angústia, capaz de nos colocar diante de um portal em um mundo interior. 


“Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

Que rio e danço e invento exclamações alegres,

Porque a ausência, essa ausência assimilada,

Ninguém a rouba mais de mim.”

                                         Carlos Drummond de Andrade




A ideia que a maioria das pessoas faz da solidão é de um sentimento doido que nos acomete em determinados momentos. Na verdade, a solidão, uma condição imanente ao homem, faz parte da vida. Só que em determinados momentos a percebemos mais agudamente e não sabemos como lidar com ela. Muitos sofrem do "medo da solidão" e assim absolutamente não se encontram. A sensação de vazio e solidão andam juntas. Por mais que se viva junto das pessoas que se ama, por mais que se interaja socialmente não será possível evitar, lá no fundo, a certeza de ser só.

A criança descobre a solidão quando tem a consciência de que precisa do outro, pois acredita que, se for "aceita" na sua "tribo", nunca ficará só, ou seja, para ela, como para qualquer adulto, não ser estimada é um fracasso; já que em nossa cultura costuma-se atribuir que não é bom estar só.
Mas  estar juntos não quer dizer comunhão. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos das grandes "rodas de amigos". Elas acontecem paradoxalmente na ausência do outro. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que "o inferno é o outro". 
É aceitável querer ficar só temporariamente, para "desligar-se de tudo". Mas se uma criança ou adulto mencionar, dentro do grupo no qual está inserido, que gosta de estar sozinho, não para descansar, mas por preferência pessoal, os outros pensarão que há qualquer coisa de errado, que uma aura de isolamento paira ao redor daquela criança ou daquele adulto. E se alguém se mantém muito isolado, os outros têm a tendência a achar que fracassou, pois para eles é inconcebível que uma uma criança ou adulto fique sozinha por livre escolha.
Kierkegaar, há cem anos passados, escreveu que em
sua época "as pessoas fazem de tudo o que é possível em matéria de diversão e de solidão, assim como nas florestas da América mantêm-se à distância os animais selvagens por meio de tochas acesas, gritos e toques de chocalhos". O silêncio é um grande crime, pois significa solidão e medo.
O medo de estar só deriva, em grande parte, da ansiedade de perder a consciência de si mesmo. Quem contempla a ideia de ficar só por um longo período de tempo, sem ninguém com quem conversar, sem rádio para projetar ruídos no ar, em geral, teme sentir se "perdido", despojado dos limites de si mesmo, sem nada contra o que colidir, nada
para orientá-lo. Em sua forma extremada, esse temor de se desorientar é o medo da psicose. Quem se encontra à beira da psicose experimenta muitas vezes uma urgente necessidade de procurar contato com outros seres humanos. É uma reação sadia, pois esse relacionamento constitui uma ponte para a realidade.
A aceitação social, o "ser estimado" tem tanta importância porque mantém à distância esta sensação de isolamento. Quando a pessoa está cercada de cordialidade, imersa no grupo, é reabsorvida como se voltasse ao ventre materno, em simbologia analítica. Temporariamente esquece a solidão, embora ao preço da renúncia à sua existência como personalidade independente. 

Entrar em contato com a solidão não é algo fácil. Mas ao compreendê-la, ao constatar que cada um é único, com sua própria biografia, sua maneira própria de buscar sentido para sua vida, também se percebe que está aí a grandeza e a beleza da condição humana. O homem vive a solidão de maneira indissolúvel. Nasce e vive só, deixando o espectro da solidão apenas e tão somente quando morre e, o que é mais agravante, não tem conhecimento do desespero que a solidão provoca em seu semelhante, legando a si isoladamente essa problemática como se fosse algo pessoal e individual. 
Ao se pensar na solidão como fazendo parte da existência humana, assumimos a nossa condição de seres únicos e, portanto, responsáveis pela dimensão dada a nossa existência. Os homens "empalhados" acabam por tornar-se ainda mais solitários, por mais que se apoiem nos outros, pois gente vazia não possui base necessária para aprender a amar.
 


ANGERAMI-CAMON, V. A. A. Psicoterapia Existencial. São Paulo: Pioneira, 1998.

MAY, Rollo. O homem à procura de si mesmo. Petrópolis: Vozes, 2004. 30ª ed.

ALVES, Rubens. A solidão amiga. Correio Popular. 30 de junho de 2002.
 






Enquanto não atravessamos a dor de nossa própria solidão, continuaremos  a nos buscar em outras metades. 
Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
Fernando Pessoa